O LAÇO

Sábado, 23 de Maio de 2009

O Laço

O LAÇO, em Audio no Recanto das letras

http://recantodasletras.uol.com.br/audios/poesias/21770

O Laço


Sabes, nunca soube onde me perdi,
Talvez noutro mundo,
Em outra dimensão,
Onde outrora vivi.
Trago as marcas do ferro quente,
Que me feriram a alma,
E a carne, com uma dor que já não sente.

Fui a testemunha silenciosa,
No calor da tarde, onde fingi viver,
Por entre o silêncio que me consome,
E tudo é pó, tudo é surdo, e veio o anoitecer.
Senti os golpes que me atiraste, sem perceber,
Nada faz sentido, nem o dia nem o escurecer,
Nem este contraste do meu querer,
Que escolhe a vida, e de seguida me vejo desfalecer.

Não sou a estrela da sorte,
Não sou a estrada, nem a sombra,
Nem o Sol, nem o vento norte,
Não fui a vida, nem a escuridão,
Não sou, o que dita a linha da minha mão.
Só sou o engano frio,
O olhar sem cor e perdido,
Onde lavo o sal que me conforta,
Da armadilha,
Do laço que me cerca,
E vai apertando à minha volta.

Nenúfar 9/5/2009

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

O Abraço da Noite

Em audio:
http://recantodasletras.uol.com.br/audios/poesias/18052


O Abraço da Noite

Há dias que a minha noite abraça teu corpo,
E meus sonhos, são só desenhos de ti,
Liberto a mente e sacio-me nos teus braços,
Entranço minhas pernas nas tuas, como quem faz um laço,
E o quente da tua boca invade-me os sentidos,
Rendo-me no delirar da noite, à procura de encantos perdidos.
Sonhos vãos que se esvanecem no amanhecer,
E me provocam azia, tanto é o meu querer,
Fico derrotado no acordar de todos os dias,
Entre meus lençóis, cheios de poemas de amor,
Que não me aquecem o corpo, nas manhã frias,
E apenas escondem um vulto, que tenta calar a dor…

Os passos brandos onde disfarço meu caminhar,
Não me denunciam, não mostram a vontade de amar,
O olhar encoraja-se ao olhar as fotos do teu perfil,
E a mente rejuvenesce lembrando teu passo subtil,
As horas são um eterno desalinho,
E o mundo roda devagar, devagar, devagarinho,
Talvez pare, perto da tua praia,
E me deixe arredado na areia, deitado sobre a tua saia!
Talvez meu sonho nunca acabe,
E teus dedos eu os ganhe, num segredo que ninguém sabe,
E teus beijos venham aquecer a minha noite,
E o amanhecer vire um prémio, acabando com o açoite!

Nenúfar 14/12/2008

Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008

Tempo Pardo !

Em Audio, no Recanto das Letras:
http://recantodasletras.uol.com.br/audios/poesias/17919

Tempo Pardo !

A minha caneta parou,
Ficou um risco impreciso e uma palavra que não sai,
Falta rumo à escrita, no guardanapo da boa hora,
E o vazio é tal, que me desfalece,
Na fria geada que vai lá fora,
A caligrafia, essa, é um sujo, nada bonita,
A tinta congelou, no frio de uma manhã maldita!
Não mora hoje aqui o talento,
Nem a ousadia de outro tempo,
A escrita apressada que varre no papel a fúria,
Hoje não voltou;
E a alma adormecida, também hoje não chorou!

Percorro num ápice a vida,
E nada resta, de relevo,
E nem com vontade escrevo,
Não restaram glórias da batalha,
Nem as derrotas de onde me ergui,
Minhas letras ficaram tortas, amargas,
Do vendaval que chegou com a tempestade,
E a caneta devagar, marca o desconsolo que me invade.

Não guardei memória de como começou,
Já olhei o futuro, e não sei onde estou,
Não descrevi o meu nome, nem anotei os dias de sol,
Hoje , nem o dia voltou,
Escondeu-se para que o lápis não desenhe o seu contorno,
E neste limbo, descolorido e morno,
O parar das letras nada mudou!
Resiste a mente ao inimigo imaginário,
E a bandeira, continua a assinalar a trincheira,
Onde se escondo do mundo,
E se consome, em pujante fogueira!


Nenúfar 15/12/2008

Sábado, 22 de Novembro de 2008

Convertido em Poesia

Em Audio, no Recanto das letras,

http://recantodasletras.uol.com.br/audios/poesias/16700


Convertido em Poesia

Deixei o clamor por entre as linhas do meu caderno,
O sal das minhas lágrimas,
O heróico sentir da alma a acalmar o corpo,
Verti em palavras as linhas de um mapa indecifrável,
Morri vezes sem conta, e me ergui por entre versos,
Levantando o estandarte da batalha,
Onde luto com as letras, que erguem a minha muralha;
Uma luta sem tréguas, e já perdida sem razão,
Vou contrariando o resultado do jogo,
No escrever que sai da minha mão,
Sujando o olhar, lavando o ódio, ao acaso que alguém ditou,
Uma epopeia sem fim, com um traste que me cegou!

Fica a história e a memória,
Anunciando a chegada de nova investida,
E o reforço dos meus soldados da razão,
Que sem pressa e sem tortura, vão amolecendo o coração,
Vão melhorando a cor e a caligrafia,
Com tons suaves e palavras francas,
Limpam meu Eu, para ficar melhor na fotografia,
A mão levanta a bandeira de uma utopia,
Que me renasce, nos sons de dias cinzentos,
Me cala, nas ideias que me invadem de tormentos,
E os versos seguram meu passo numa poção de alquimia;
Meu mundo se cura, com um pouco de poesia.

Nenúfar 9/11/2008

Domingo, 2 de Novembro de 2008

À Descoberta

No Recanto das Letras

http://recantodasletras.uol.com.br/audios/poesias/15996

À Descoberta

Descobri o teu beijo e o macio da tua mão,
Encontrei tuas pernas, onde me entrelacei ao serão,
Senti o fulgor do teu abraço,
E a vida deixou o cinzento e o tom baço,
No cerco da razão sobre a memória,
Ancorei sobre meu mundo de glória,
Num lance de génio que tirei da cartola,
E de uma promessa que li no cristal da bola.

Contou-me uma Duna Encantada,
Que do seu cume se vê o futuro,
E na artimanha da minha jogada,
Subi ao teu pescoço, como quem trepa o muro,
E encontrei teus lábios, onde mergulhei na minha sede,
Deitei sobre teu corpo balanceando na rede,
E meus versos ganharam o brilho e a cor,
Do anel que te preenche o dedo e te faz meu amor.

Nem tudo é um arco-iris de cor,
Mas o mundo vai amaciando a dor,
No calor do teu corpo, e no resignar da mente,
Ajeita-se as ideias sobre um novo mapa,
E a vida ganha velocidade com o sopro do teu beijo,
E os destroços se diluem, ganham força meus desejos,
Na descoberta do outro lado,
Uma viragem de rumo, novos versos no meu fado.

Nenúfar 11/10/2008

Terça-feira, 9 de Setembro de 2008

Dominó

Em Audio, no Recanto das Letras

http://recantodasletras.uol.com.br/audios/poesias/15098

Dominó

Erguem-se as pedras anotadas,
Pintas poucas e pintas pardas,
Encaixes que se prometem,
E a vida que ora acerta, e se comprometem,
Ora dá impar e desacertam.
Num lance de génio ou pura sorte,
A pedra órfã ganhou par e se encostou a norte,
Vai desenhando o ziguezague na mesa,
E o dominó ganha força e mantêm a esperança acesa,
Saltam as pedras e rola o inusitado,
E o jogo vai finando no tablado,
Conta-se as pintas e pontos,
Pego em mais pedras para singrar neste jogo de tontos,
Os pares vão rareando,
E eu ora rio ou me calo, e fico pensando…
Três daqui mais dois dali,
E aquela que já foi , e nem a vi,
Dá pouco para a jogada final,
E a jogada não vai bem, para não dizer que está mal,
Fecho o jogo ou vou até ao fim,
Será que isto vai ser sempre assim?

Nenúfar 5/9/2008

Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

A Fada do Mar

Em Audio
http://recantodasletras.uol.com.br/audios/poesias/14295

A Fada do Mar

Quantas histórias terei para contar,
Quantas vezes olho minhas mãos vazias, até de ar,
Quantas vezes me encontro no meio do nada,
E a vida que nada resolve sem a varinha de Fada,
Não é senão o sofrido correr dos ponteiros;
E tu, meu Cupido Arqueiro?
Por onde lanças a tua seta da réstia esperança?
Por onde desenhas os riscos do mapa do meu caminho,
Que não encontro saída, e neste fado desfalecido,
Olho o cantar rouco de quem pede mais…
Mais que uma gota desse pó mágico,
Que me benzeu de glória,
E me desfalece no rasgar da minha memória,
Que me crucifica e me faz ver o pó,
Um velho jogo do dominó, onde perco,
No viciado sopro de alguém que deitou ao chão ,
As pedras da minha jogada…
E sem segredos nem companhia na almofada,
Tem conseguido esmorecer a vontade do andar,
Do sonhar e do beijar…
Faz-me ver os trapos, e o fio frágil,
Que me liga a mente às flores do teu ramo,
Esse presente de amores perfeitos,
O colorido das flores que me coloca a pensar,
No teu batom e no brilhante da tua blusa sobre teu peitos,
A beleza do quadro que pinta os minutos deste dia,
O sinal que me muda o semblante e me faz perguntar…
A menina quer ser a minha Fada do Mar ?


Nenúfar 9/8/2008